Thursday, September 19, 2024

Viajante de longe

 O sol nasceu assim como tinha me prometido: todos os dias, de um jeito que eu ja tinha me acostumado, e acreditei viver normalmente, andei por diversos lugares, ouvi muitos sons, muitos rostos...
 Mas nada nunca se comparou a imagem do seu sorriso em meio a qualquer multidão.
 Do som da sua voz que independente de estarmos em meio a uma plateia lotada, sempre se fez tão inconfundível pra mim, aquele som que sempre teve o poder de me arrepiar a espinha a fazer falhar toda a força que sustenta esse cansado corpo.
 Daquele pensamento que rondava a minha cabeça, e que sempre torci pra que te assombrasse tambem: Quando será que nos veremos de novo

Thursday, March 23, 2023

dias e dias

por muito tempo corri atrás de respostas, ate ver que elas estavam escondidas no próprio relógio.
E era tudo sobre sua capacidade de andar através dessa marcha mórbida, sobre ver a vida passar, ver as flores desabrocharem, e ter a coragem de simplesmente existir. Não ter medo, não hesitar, pois ele não irá, e não parará para ninguém que precise, ele sabe que é implacável, mas não se importa, pelo contrário, sabe que é isso que torna tudo interessante, o limite, o fim, saber que o fim existe e é inevitável traz incentivo, determinação para cumpri-lo, antes que seu tempo se esgote.
não achei tudo de que preciso, mas achei o caminho, e a partir dai, só o tempo....

Wednesday, February 1, 2023

fluxo temporal 1

  ha quem diga que o pertencimento verdadeiro está altamente associado ao reconhecimento, tal como as joaninhas pertencem as orquídeas que brotavam nos jardins de casa, as cigarras com as manhãs das quais eram preenchidas com seu coro paradisíaco feito apenas para os que sabem ouvir a natureza com atenção, e na voz cansada de minha mae que mesmo depois de um dia árduo, fazia questão de espantar os monstros debaixo da minha cama.
  mas e se nada disso for o suficiente?
  mas e se aquilo que clama meu nome desesperadamente, estiver muito alem de tudo que um dia eu conheci? 
  como eu encontro você? 





Sunday, July 17, 2022

palavras nunca mais ouvidas

 a sensação amarga que toma minha garganta quando seguro em mim tudo aquilo que me umedeceria o rosto, acaba me levando de volta ao que eu nunca entendi dentro da saudade que sinto de você.
 me obrigo a seguir em um caminho percorrido a passos arrastados e melancólicos de um alguém que nunca concordou em estar ali, mas diante da impiedade da marcha do tempo, pode apenas se render as circunstâncias. 
 e nesse meio tempo, sigo cantando ao mundo todas as músicas que um dia te listei pois sempre me fizeram lembrar da sua luz.

Monday, June 20, 2022

idas e partidas

e o sino tocou normalmente no dia seguinte, como sempre o fez, mas agora, soava triste ao silêncio que ecoava naquela casa que se encontrava a cada segundo mais vazia.
seu perfume preso no meu nariz como um parasita, me obriga a lembrar de dias melhores, e de erros que um dia cometi, me submetendo ao destino inóspito de cantar pra lua meus desejos de que um dia, eu possa lhe contar tudo que uma vez eu ocultei por culpa do medo.

Friday, October 23, 2020

aromas nostálgicos

passo noites sonhando com os dias em que fugi da vida, em que fui para o mais longe que consegui, dos ares que respirei e das pessoas que conheci, as noites que virei e os dias em que dormi, os bares em que festejei e o sofá em que chorei, no dia após dia, em que me senti tão viva. Mas independente das verdades e das saudades, nenhum céu é tão azul quanto o de casa 

Thursday, June 18, 2020

a rachadura em mim

 Paus e pedras podem quebrar meus ossos, e a pessoa que os atirou, sempre teve o poder, de quebrar meu coração.
 Mas a culpa é minha, eu te dei o poder pra isso, eu que fiz com que você ficasse confortável em me ver sangrar, eu fiz você amar a minha imagem estilhaçada, admirar cada pedaço meu no chão, enquanto enfiava mais e mais fundo, seu dedo na minha ferida.
 E quando se cansou, foi embora, sem mais nem menos, sem justificativas ou despedidas, me deixando apenas com um vazio inexplicável e de proporções que eu jamais havia visto, mas, estranhamente, o vazio não era seu, era de algo que eu necessitava como oxigênio, e você? você nunca poderia ocupar esse lugar.
 Até que a realidade se fez presente a mim mais uma vez, aprendi a apreciar a dor, a perceber a delicadeza que existia no sangue que escorria do meu peito, pouco a pouco, até notar, que me tornei dependente disso.
Precisava da dor, para me sentir viva